Drenagem


A drenagem é o meio que se emprega para que a água escorra mais facilmente e se afaste o mais rapidamente do local onde possa causar dano. A pouca atenção dispensada às propriedades do solo e a ação da água sob todas as formas por que se apresenta, redunda em dispendiosa manutenção e reconstrução de quilômetros e quilômetros de estradas todos os anos nos períodos de chuvas. Mantendo-se o bom funcionamento da drenagem obtemos:

  • Menos trabalho no futuro;
  • Maior eficiência e segurança;
  • Melhora do aspecto estético da estrada;
  • Diminui as interrupções do tráfego, evitando-se prejuízos para os usuários.
A água das chuvas tem dois caminhos. Parte escorre sobre a superfície do solo e parte penetra no chão. Ambas as situações podem prejudicar a estrada.A solução do problema depende de um certo número de variáveis. Em um projeto de drenagem para estradas devemos considerar os seguintes elementos:

  • O estudo Hidráulico para a fixação das dimensões;
  • A sua resistência estrutural;
  • O seu custo;
  • As condições variadas e particulares de sua localização.
Seja no estudo da drenagem superficial ou subterrânea, o problema básico é saber a quantidade de água que teremos que drenar.Portanto é necessário afastá-la usando-se os dispositivos de drenagem. 
A drenagem superficial consiste em lançar mão de todos os meios a fim de canalizar as águas das chuvas, retirando-as dos locais onde poderão prejudicar a estrada. Estes meios são os dispositivos superficiais e que podem ser:
  • Valetas de proteção de corte, de aterro, etc.
Desenho esquemático da seção de uma valeta.


As valetas são condutos livres, não submetidos à pressão, construídas diretamente na terra. Vide a figura. 

Quanto aos limites práticos da velocidade da água nas valetas, precisamos ficar atentos a dois parâmetros: Limite inferior e limite superior. Observando-se o limite inferior evitaremos a deposição de materiais na valeta. 
No Limite superior a velocidade média máxima não deverá exceder ao indicado na tabela abaixo, de forma a impedir a erosão das paredes da valeta.
  • Canaletas de concreto armado ou premoldados.
As canaletas, assim como as valetas, são condutos livres, não submetidos a pressão. Normalmente usa-se a canaleta quando a declividade da estrada é tal que impossibilita o uso de valeta de terra devido a erosão. As seções semi-circulares são as mais eficientes na condução da água. Todavia usamos a seção trapezoidal ou retangular em virtude das condições técnicas de execução da obra. A forma retangular é adotada nos canais de concreto e nos abertos em rochas. A seção mais viável é que a base 'B' seja o dobro da altura 'H'. Como a velocidade da água é função da declividade da canaleta ou valeta, os limites estabelecidos para esta velocidade decorrem dos limites para a declividade. Abaixo desenvolvemos uma tabela com base no funcionamento de uma canaleta 50 x 25 cm, e que sugere quando adotar uma valeta de terra ou uma canaleta de concreto.

A falta de uma canaleta de concreto está provocando o surgimento de uma erosão.



  • Escadas ou descidas d'água;
As escadas ou descidas d'água tem a função de encaminhar as águas de uma determinada cota para uma cota inferior, reduzindo-se sua velocidade para que, quando atinja o local desejado não provoque erosões. Normalmente são construídas usando-se concreto ou alvenaria. São muito usadas nas saídas e entradas de bueiros.
  • Bueiros tubulares ou celulares.
Para o dimensionamento de bueiros existem inúmeros métodos, processos e fórmulas para determinar a vazão superficial. Daí calculamos as dimensões da seção. Este cálculo deverá ser conduzido por um engenheiro experiente. Todavia poderemos expor alguns métodos práticos de utilização expedita que convém às atividades das equipes de manutenção. O primeiro método é o método comparativo, consiste verificar, no local, a existência de bueiros a montante ou a jusante daquele que pretendemos construir. Inquerindo-se os moradores próximos,  verificaremos se o funcionamento destes bueiros satisfazem ou não. Este método entretanto, não terá nenhum valor em estradas onde a construção será pioneira.
O segundo método que apresentaremos é uma tabela baseada nas teorias de 'TALBOT'. Temos que levantar a área da bacia hidrográfica em hectares e determinar o tipo de terreno para obtermos a seção de vazão e o diâmetro do bueiro. Trata-se de um método extremamente empírico pois não leva em consideração a intensidade das chuvas. A chuva mais provável considerada neste estudo foi de 100 mm/h. Esta teoria dá um  coeficiente de segurança muito grande.
Um exemplo: Numa região de terreno plano, o topógrafo mediu a área de uma bacia de 42 hectares à montante de um aterro de uma estrada onde construiremos um bueiro de grota. Qual deverá ser o diâmetro das manilhas de concreto que deveremos usar?
Como o terreno é plano, buscaremos na coluna correspondente da tabela. Percorrendo a coluna, procuraremos a linha onde estará escrita a área igual ou imediatamente superior à área requerida. Nesta mesma linha, na coluna de diâmetro interno do bueiro, teremos, finalmente a nossa solução que será o diâmetro de 80 cm.

Desenho esquemático da seção de um bueiro tubular.

    A drenagem subterrânea é o conjunto de meios utilizados para o rebaixamento do nível da água subterrânea (lençol freático). Na figura a seguir temos um esquema da instalação de um dreno subterrâneo. Analizando essa figura, vemos que a vala é capeada com material impermeável, não só para eliminar a água superficial que viria sobrecarregar o dreno e deve ser escoada para a valeta lateral da estrada, como também para evitar que materiais sólidos em suspensão encham os vazios e obstrua o material filtrante.
    Desenho esquemático de um dreno profundo.


      Recomendamos que ao construir o dreno, se inicie a escavação de jusante para montante, desta forma propriciando o escoamento da água, evitando-se seu confinamento. A colocação das manilhas, entretanto , deverá se processar de montante para jusante, evitando-se a obstrução dos poros pela lama.